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PINTURAS |
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Eis Sérgio Ricardo pintor. De corpo inteiro. O que para uns,
certamente, será uma surpresa. Para outros, porém,
que conhecem o seu talento criativo, uma extensão natural
de sua inquietação artística.
Pois música, cinema e pintura, em suma, não deixam
de ser artes que se complementam. Sérgio Ricardo sabe disso.
Uma prova está na sua obra fílmica, sensivelmente
influenciada pela plasticidade das imagens como em "Juliana
do Amor Perdido" e "A Noite do Espantalho" para citar
apenas dois dos seus filmes, por sinal, em cores. Não é
de admirar, portanto, que ele tenha chegado às tintas e aos
pincéis. Não como autodidata, mas como maneira de
absorver linguagens artísticas que lhes são afins.
Como pintor, Sérgio Ricardo pertence àquela linhagem
de artistas abstracionistas que ainda não rompeu com a realidade
aparente, embora dela se distancie à medida que vai domando
o seu ofício. Apaixonado pelas linhas, delas procura extrair
sensualidade e sinuosidade do corpo feminino, enfoque de sua pintura
atual, e que ele percorre para realçar os volumes, não
somente pelo desenho exato e munucioso e, sim, pela matéria
colorida.
O artista não está preocupado com o corpo femimino,
mas o que dele pode valorizar como formas poéticas da pintura.
Sérgio Ricardo nos propõe corpos. Não seriam
esses mesmos corpos paisagens humanas fincadas na natureza? Cabe
ao espectador a palavra final, pois está em questão
a pintura. Do seu poder mítico, a resposta do artista.
Geraldo Edson de Andrade, crítico de arte
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