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Sai o LP "A Bossa
Romântica de Sérgio Ricardo", só com composições
próprias: "O nosso olhar", "Ausência
de Você", "Pernas", "Não gosto
Mais de Mim", "Poema Azul", "Buquet de Izabel"
e a de maior sucesso, "Zelão". Produção
de Aloísio de Oliveira e arranjos de Lindolfo Gaia. É
muito executado e alcança grande sucesso. Sérgio passa
a comparecer aos programas musicais de maior audiência, em
voga por todos os canais de TV, Demerval Costa Lima, agora na TV
Tupi, é encarregado da primeira transmissão ao vivo,
em cadeia, da televisão brasileira, de um programa feito
parte no Rio e outra em São Paulo. O tema: Bossa Nova. Em
São Paulo, dirigido por Cassiano Gabus Mendes e no Rio, por
Sérgio.
Continua na Tupi, com seu novo programa "Ao Sol da Tarde"
. Fica no ar por um ano, com uma pombinha que pousa no piano enquanto
ele toca, canta e entrevista convidados.
É contratado para um programa seu, semanal na TV Itacolomi,
de Belo Horizonte. Além de apresentar-se com músicos
locais, sorteia uma carta, para fazer uma serenata após o
programa, ressuscitando a moda em BH.
Faz vários shows pelo país, e financia e dirige seu
primeiro filme, "Menino da Calça Branca", em 35
mm. Roda o filme na favela Macedo Sobrinho (hoje extinta). que ficava
atrás de seu prédio no Humaitá. Zezinho Gama,
Laura Figueiredo, Ziraldo e Sérgio atuam no filme. Seu irmão
Dib Lutfi faz a fotografia. Ao ver a projeção do copião
na sala da Lider, Nelson Pereira dos Santos oferece-se para montar
o filme - de graça. Nasce uma amizade e outro envolvimento:
o Cinema Novo.
A Odeon lança seu segundo LP "Depois do Amor" com
arranjos de Gaia e produção de Aluísio de Oliveira.
No repertório, as músicas que gostaria de ter feito,
de seus companheiros da bossa.
Mais voltado para o cinema, Sérgio termina seu curta. É
escolhido pelo Itamaraty a representar o Brasil no festival de cinema
de São Francisco na Califórnia, e no festival de Karlovi-Vary
(Tchecoslováquia). No Rio, ganha o Prêmio Governador
do Estado. Em Salvador, recebe o prêmio da reitoria da Universidade
Católica, no Primeiro Festival de Cinema da Bahia e Sérgio
viaja para S. Francisco acompanhando o filme. É logo negociado
com um distribuidor americano, que lhe paga o referente ao custo
do filme, como adiantamento.
Dias antes do término do festival Sérgio é
convocado pela cônsul do Brasil em N. York, Dora Vasconcelos,
a participar do concerto da Bossa Nova no Carnegie Hall. Ao término
do festival embarca para N. York, para ensaiar e se apresentar juntamente
com seus colegas. Canta "Zelão" e "O nosso
Olhar". É muito aplaudido.
Participa do show de Bossa Nova em Washington e volta para NY.
Vai morar no Village, e lá permanece durante quase um ano,
preparando o roteiro de um próximo filme. Recebe um convite
do consagrado Village Vanguard. Reveza no palco, com Herbie Man
e Bola Sete, violonista brasileiro. Contratado por uma semana, com
prorrogação por mais uma, devido à sua aceitação.
Volta para o Brasil iniciando seu primeiro longa metragem - "Esse
Mundo é Meu". Escreve, roteiriza, faz a trilha sonora
e dirige , ao estilo da Nouvelle Vague. No elenco Léa Bulcão,
Ziraldo, Antonio Pitanga, Luzia Aparecida, Sergio Ricardo, Cavaca
(humorista). Inserção de trechos da Peça Ripió
Lacraia de Chico de Assis, fotografia de Dib Lutfi.
1963
Agora, levado para os estúdios da Philips, por seu produtor
Aluísio de Oliveira grava seu terceiro LP "Um Senhor
Talento", com novas 12 composições dentre as
quais, "Folha de Papel", "Esse Mundo é Meu",
"Enquanto a tristeza não Vem", "Barravento"
e "Fábrica", de maior sucesso.
Seu amigo Chico de Assis o convida a participar do CPC, Faz a trilha
para uma peça do Carlos Estevão, atua nos shows habituais,
e se integra no movimento, atuando em universidades, favelas, portas
de fábricas, usando a música como meio de conscientização.
Faz a trilha sonora do filme de Glauber Rocha, o legendário
"Deus e o Diabo na Terra do Sol", que lhe rende vários
prêmios. Enquanto isso, Ruy Guerra, acaba a montagem de seu
filme "Esse Mundo é Meu".
Cresce vertiginosamente a articulação das esquerdas
culminando com o comício de Jango frente à Central
do Brasil. Lacerda manda metralhar a porta do prédio da UNE,
no momento da saída de uma manifestação do
CPC, ferindo um estudante que cai ao lado de Sérgio. No dia
seguinte incendeia-se a sede da UNE em represália a atuação
política dos estudantes. Acompanhado de amigos e curiosos.
Sérgio presencia a queimada de um sonho até a última
chama.
Golpe militar. É primeiro de Abril de 1964. Ninguém
nas ruas. O medo toma conta da cidade, do país. No Cine São
Luis, lê-se o titulo do filme que entra em cartaz: ESSE MUNDO
É MEU. Nem um espectador.
O filme é escolhido para representar o Brasil no festival
internacional do Líbano. SR viaja para lá em lua-de-mel
com Ana Lúcia. Antônio Pitanga os acompanha como ator
convidado. O filme é bem recebido e ao saberem de sua ascendência
síria, é convidado a dirigir um filme na terra de
seu pai. Sérgio aceita, curioso por conhecer Sidnaia e lá
filma "O pássaro da Aldeia". Um média metragem
que discute a imigração. O filme é proibido
de sair do país e Sérgio sequer ganha uma cópia,
por conta da temática do filme. No ano seguinte o filme é
exibido no festival do Líbano, com muito sucesso.
"Esse Mundo é Meu" é selecionado para ser
exibido com os demais filmes brasileiros na mostra do Cinema Novo
em Gênova É muito aplaudido e um distribuidor italiano
oferece 10 mil dólares de adiantamento para a exibição
no território Italiano, mediante a entrega do master do filme,
que nunca chegou às suas mãos. É considerado
pelo crítico Luc Mullet, em artigo (publicado no Cahiers
du Cinema), como um dos cinco melhores filmes do ano.
Vem de Roma para São Paulo, engajando-se na luta de resistência,
convocado a participar de forma constante.
Dirigido por Chico de Assis, faz um espetáculo duradouro
no Teatro de Arena, "Esse Mundo É Meu" acompanhado
por Toquinho e Manini, com casa lotada durante toda a temporada.
Neste mesmo ano, o cine clube de Marília, em seu festival
anual premia Esse Mundo é Meu como o melhor filme do ano,
e Sérgio vai receber o "Curumim" em sua cidade
natal.
É contratado pela gravadora "Forma". Saem dois
LPs, um com sua trilha do filme "Esse Mundo é Meu"
e outro com a de Deus e o Diabo, que obtém em 66, dentre
outros prêmios ,o de melhor trilha para cinema pela Comissão
Estadual de Cinema, S.Paulo.
Mais uma mudança para o Rio de Janeiro, desta vez para a
rua Barão de Jaguaribe, em Ipanema. Em seu piano Rener, cria
a trilha sonora da peça "Coronel de Macambira"
de Joaquim Cardoso, convidado por seu diretor Amir Haddad, encenada
pelo TUCA do Rio. Naquele mesmo piano compõe a trilha sonora
de Terra em Transe, convocado mais uma vez por Glauber Rocha, que
agora o incita a escrever para orquestra.
1967
Com composições inéditas, dentre as quais,
trechos das últimas trilhas, grava o LP A Grande Musica de
Sérgio Ricardo, pela Phillips. Capa de Ziraldo, com 12 novas
composições, dentre as quais, Zé do Encantado,
Brincadeira de Angola (parceria com Chico de Assis) A Praça
é do Povo (parceria com Glauber Rocha) e Bichos da Noite
(parceria com Joaquim Cardoso).
O rádio raramente toca alguma música de sua safra
social, preferindo repetir as antigas que ainda se ouvem com certa
freqüência. Mas nos shows que faz de norte a sul do pais,
cantam com ele suas músicas políticas, que deixa para
o fim do espetáculo, causando um grande impacto. Porem, nunca
deixa de apresentar e gravar o seu repertório lírico.
Volta para São Paulo.
Inscreve sua música Beto Bom de Bola, a convite de Solano
Ribeiro, no festival da Record. Chega à final, mas impedido
de cantar pelo som das vaias, quebra seu violão e o atira
na platéia, e transforma-se em notícia internacional.
Como desagravo, ganha alguns violões, fazem-se shows no Rio
e S. Paulo, com a nata da MPB, todos solidários com seu gesto.
Chovem manifestações de toda ordem na imprensa, na
política, etc. consagrando o seu gesto, como um marco na
história de nossa música. No ano seguinte, volta ao
mesmo festival com sua música parcialmente censurada : Dia
da graça, chegando também à final. A parte
cortada pela censura é cantada pela platéia, acompanhada
pelo Modern Tropical Quintet, enquanto ele permanece mudo frente
ao microfone. O público daquele festival, desta forma, se
redime com Sérgio.
Convidado por Bernardo Cabral, vai denunciar o roubo do direito
autoral na CPI aberta em Brasília.
Passa a compor e participar de todos os festivais.
Dirigido por Augusto Boal apresenta-se em seu show "Sérgio
Ricardo na praça do Povo" sozinho no palco, cantando
com playbacks, inclusive a música Beto Bom de Bola, com belíssimo
arranjo de Rogerio Duprat, além de responder a questionamentos
de personalidades mostradas em circuito interno de televisão.
Fica um bom tempo em cartaz com casa lotada.
Ganha na TV Globo, em horário nobre das quartas feiras, um
programa seu "Sérgio Ricardo em tempo de avanço",
dirigido por Chico de Assis. Não dura muito. Sérgio
não aceita a recomendação insistente de Boni
de baixar o nível do programa e se demite.
Ganha outro programa como apresentador e galã de "Pernas",
um musical dirigido por Roberto Palmari na TV. Excelsior.
Não quer aceitar as propostas oportunistas que lhe surgem
em conseqüência à enorme popularidade alcançada
por conta do episódio do violão. Prefere se recolher,
dedicando-se a dar prosseguimento ao seu cinema.
Seu vizinho, Alexandre Machado, jornalista político, oferece-lhe
uma verba disponível para produzir seu próximo filme.
Avesso ao papel de produtor, Sérgio convida para sócio,
seu parente distante, o cineasta Jorge IIleli, dono de uma produtora
de filmes, e consagrado diretor, para coordenar a produção.
O filme seria a Noite do Espantalho. Enquanto se arma a produção,
Sérgio trabalha com Jean Claude Bernardet, Maurice Capovila
e Luis Carlos Pires, no roteiro, durante bom tempo.
É decretado o AI-5 e a ditadura enrijece cruelmente, disposta
a desmantelar toda a oposição ao sistema, e institui
a censura acabando com a liberdade de expressão.
Jorge IIleli, aconselha Sérgio a desistir daquele projeto,
em função de suas colocações políticas,
e para não perder a oportunidade, contrata o cineasta Roberto
Santos para trabalharem juntos num outro roteiro e assim nasce o
filme "Juliana do Amor Perdido".
Trabalha seu lado lírico e social, cuidando por não
provocar a censura, pois uma vez proibido, o prejuízo será
muito grande. Mesmo assim é obrigado a cortar uma cena poética
de sexo.
Ganha o festival de Santos como melhor diretor e melhor fotografia.
Dib recebe a coruja de ouro do INC pela melhor fotografia e Sérgio
pela melhor música. Recebe o prêmio Governador do Estado
de S.Paulo de melhor filme de 69. O próprio INC convida o
filme para representar o Brasil no 20o. festival Internacional do
Filme em Berlim. Viaja acompanhando o filme muito bem recebido no
festival. Não ha premiação por ser extinto
o júri daquele ano.
Na volta já o esperam Jorge Jonas, para compor a trilha sonora
de seu filme A Compadecida de Suassuna, e também Roberto
Santos que lhe entrega um dos episódios de seu filme Vozes
do Medo para musicar.
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