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Retoma seus estudos de música e o trabalho como pianista. Em Copacabana,
seu colega Newton Mendonça lhe informa de uma vaga na boite
Posto Cinco, onde Tom Jobim, seu parceiro, deixava o lugar de
pianista. Sérgio ganha a vaga.
Durante longos anos em que trabalha na noite, sucedem-se rápidas
e fecundas transformações. Descobre Johnny Alf,
Moacir Peixoto, João Donato, João Gilberto, Lúcio
Alves, Tito Madi, Fats Elpídio, Esdras e outros com os
quais aprende a música mais elaborada, pesquisando formas
e o bom gosto vanguardista que cada qual expressa com seu instrumento,
interpretação ou composição. Toma
aulas de harmonia e contraponto com Paulo Silva, Moacir Santos,
Ester Scliar e começa a compor, prestes a largar a noite.
Na boite Chez Colbert (mais tarde Little Club), da belíssima
portuguesa Eunice Colbert, no Beco das Garrafas, começa
a cantar incentivado por ela.
Muito requisitado, vive a trocar de emprego, tendo rodado praticamente
todas as casas noturnas do Rio e São Paulo. Às vezes
só, às vezes com trio. E em meados de 50, cantando,
arrojando-se a mostrar suas composições. O compositor
Nazareno de Brito,em companhia de Maísa, passa na boite
Dominó, em Copacabana, para faze-la ouvir a mais recente
composição de Sergio, "Buquet de Izabel".
A intérprete se interessa e grava a música com arranjo
de Simonetti em seu segundo LP. Sérgio é lançado,
oficialmente, como compositor. De sua fase pianística fica
ainda o registro de um LP, feito para a Continental, "Dançante
nš1", com músicas americanas, brasileiras e algumas
composições suas ainda sem letra. Vira prefixo de
programa radiofônico e recebe elogio da crítica tendo
uma execução relevante no rádio, pouco voltado
para a música instrumental.
Vence um concurso para ator de cinema. O filme não se realiza.
Mais tarde, em São Paulo. É chamado por Teófilo
de Barros, diretor artístico da emissora, que após
um teste o contrata como ator, por 4 anos, para TV e para a rádio
de sua coligada Rádio Difusora, com uma condição:
mudar seu nome. João Lutfi reluta, mas concorda em se transformar
em Sérgio Ricardo. Passa a intercalar seu trabalho de ator
com o de pianista da noite.
Estrela o musical "Música e Fantasia" (do próprio
Theofilo de Barros), como galã. Atua também em vários
programas e faz alguns papeis em novela de capa e espada. Sente-se
desconfortável com a quantidade excessiva de trabalho e
rompe o contrato. Volta para a noite.
Volta a morar no Rio na Rua Humaitá. Assistindo a um deslizamento
na pequena favela frente à sua janela, soterrando barracos,
mobilizado pela cena, senta-se ao piano e compõe "Zelão",
seu maior sucesso .
Apresentado ao novelista e escritor Pedro Anísio, que finalizava
o roteiro da novela da TV Rio, "Está escrito no Céu",
dirigida por Carla Civelli, Sérgio ganha o papel e faz
sucesso como galã. Seu rosto fica mais conhecido do grande
público carioca. O personagem de Sérgio cantava
ao piano, o tema principal da novela. Renova o contrato com a
TV Rio, integra o elenco da novela, "Mulher de Branco",
e ganha belos papéis no grande teatro dirigido por Carla
e Benedito Corsi, Studio B, que encena peças de grandes
autores.
Seu aprendizado sobre cinema teve participação de
Carla e, principalmente, de Ruy Guerra, diplomado pelo IDEC na
França. Com a experiência de ator e o convívio
com a câmera, somados à leitura de livros sobre roteiro
e direção, Sérgio já se considera
apto a encarar o cinema, e anseia pelo momento.
Na mesma época, grava seu primeiro disco como cantor para
a RGE, com a música de Geraldo Serafim "Vai Jangada",
um 78 rotações, muito tocado no rádio. Sai
seu segundo disco, com as músicas "Cafezinho"
e "Amor Ruim".
Dermeval Costa Lima oferece um horario nobre na Tv Continental
para Sergio dirigir um programa musical, atuar e cantar, formando
um par romantico com sua companheira Lueli Figeiró, bela
atriz e cantora do cinema brasileiro. O programa é batizado
por Demerval de "Balada".
Miéle, diretor de estúdio dos programas de Sérgio
e admirador de suas composições, leva-o à
casa de Nara Leão para conhecer a turma da "Bossa
Nova". Todos curtem o trabalho de Sérgio e o convidam
a participar do movimento.
Sérgio adota o violão como seu segundo instrumento
e torna-se um bossa-novista.
Em 59, João Gilberto lança definitivamente a Bossa
Nova com seu primeiro disco, pela Odeon. Aluísio de Oliveira
convida Sérgio para fazer o seu primeiro LP e o contrata
por dois anos.
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