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Sua família se
muda para a capital paulista. Continua seu aprendizado de piano
e cursa o ginásio no Liceu Pasteur. Aluno rebelde, só
se empenha em matérias relativas às artes. Dois anos
mais tarde, volta com a família para Marília.
Ouvindo a banda do maestro Galati no coreto do jardim; o cantar
de nordestinos, interpretações do regional e intérpretes
locais no programa semanal da Rádio Clube de Marília,
ouvindo cotidianamente os programas da Rádio Nacional, sedimenta
em seu inconsciente a brasilidade musical da época.
Findo o ginásio,vai para São Vicente trabalhar na
rádio Cultura São Vicente, como operador de som e
locutor e discotecário - onde trava conhecimento diário
com toda a música da época e amplia seu conhecimento
da história da música. Do erudito ao popular, do nacional
ao estrangeiro. Seu ouvido fica, por um ano, tomado pela informação,
distante de seu piano e dos estudos. Num piano cedido pelo dono
da boite Savoi passa a tirar de ouvido as músicas que ouve
diariamente. Seu toque motiva o dono da boite a contratá-lo
para as domingueiras. Sozinho, anima a noite solando tangos, sambas,
valsas, choros, foxes e outros ritmos ao estilo do pianista Carmen
Cavalaro, coqueluche da época, e a casa lota. Seu cachê
é três vezes maior do que o radiofônico, até
que levado pelo tio para o Rio de Janeiro, vem-lhe a certeza de
que não abandonará mais a música.
Sérgio atua como locutor no programa do tio, na Rádio
Vera Cruz, depois de aprender com ele a arte da locução
e da narração. Paralelamente retoma seus estudos de
piano e teoria musical no Conservatório Nacional de Música.
Exercita-se no piano da rádio e cursa o científico
no Lafayete. Troca o colégio pela leitura. Torna-se um leitor
obstinado e se fixa no estudo das artes.
Em Sampaio, exercita-se diariamente num piano de seu amigo vizinho
. Exibe-se em festas de colégio e freqüenta o auditório
da Rádio Nacional para ver de perto os artistas que admirava:
Léo Peracchi, Radamés Gnatalli, Garoto, Lúcio
Alves, Dick Farney e tantos cantores e músicos bons da época.
É contratado como pianista da boite Corsário, na Barra
da Tijuca e ingressa na vida noturna. Com o lucro de seu trabalho
de pianista solo, compra seu primeiro piano, um Rener vertical que
o acompanha por décadas. Com a continuidade da peregrinação
em boites do Rio, suaviza a dificuldade familiar e torna-se conhecido.
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